25 de abril, 2009


Em Novembro de 1954, já se encontrava a coroar a colunata do Santuário de Fátima, juntamente com outras três grandes esculturas de santos portugueses (São João de Deus, do escultor Álvaro de Brée; São João de Brito, de António Duarte; Santo António de Lisboa, de Leopoldo de Almeida), a estátua do, então, Beato Nuno de Santa Maria, de mármore de Estremoz, com 3,20 metros de atura.
O projecto de figuração deste santo carmelita havia sido primeiramente entregue ao escultor Francisco Franco, mas foi o professor de escultura da Escola de Belas-Artes do Porto, Salvador d’Eça Barata Feyo (1899-1990), quem veio a traçar a fisionomia da escultura que se encontra no Santuário. Ali, no extremo sul do primeiro tramo da colunata (é a segunda escultura, a contar da torre da basílica do Rosário para a direita de quem se colocar de frente para o conjunto), figura São Nuno de Santa Maria que a Igreja celebra no dia 6 de Novembro de cada ano.
Para a fisionomia da escultura, o autor inspirou-se numa tradição retratística que remontará ao século XV, quando o pintor régio de D. João I, António Florentim, retratou Nuno Álvares Pereira, já ancião, com hábito de carmelita. Embora este retrato se tenha perdido no terramoto de 1755, existem gravuras que nele directamente se inspiraram e que vulgarizaram esta forma de representar Nuno de Santa Maria.
Do ponto de vista estilístico, a escultura de Barata Feyo que se encontra na colunata do Santuário de Fátima insere-se na época da grande estatuária monumentalizante, de boa qualidade, que os escultores do período meão do século XX, quase sempre académicos, produziram.
O trabalho de escultura da figura de Nuno Álvares Pereira é, no fundo, uma espécie de grossa coluna, pouco escavada, de onde sobressai apenas a cabeça inclinada do santo e as mãos postas em oração. O pouco desbaste que sofrera o bloco marmóreo leva à apresentação de uma figura distanciada do mundo das formas mais devocionais, por ser uma escultura muito hierática, de um hieratismo típico das muito antigas esculturas gregas do período arcaico, apresentando-se quase com as características de um “kouros”. A selecção figurativa apresenta Nuno Álvares como religioso da Ordem do Carmo, imagem já bem distanciada das iconografias dos santeiros relacionadas com os episódios bélicos do Condestável do reino. Em vez da espada, do escudo e da armadura militar, o Beato Nuno enverga o hábito de carmelita, onde se percebem a túnica, o escapulário que desce até quase ao fundo desta e a capa. Quase imperceptível, encontra-se também esculpida, como emblema iconográfico, uma bolsa de esmoler, fazendo alusão a um dos atributos que a hagiografia sobre Frei Nuno de Santa Maria captou. O atributo simbólico que o escultor mais quis evidenciar, provavelmente pelo facto de a obra se destinar a um santuário mariano, foi o terço sustentado nas mãos postas em oração à altura do peito e distendido pelo escapulário até meio da altura das vestes. Esta lembrança da devoção de São Nuno pela Virgem Maria é verdadeiramente exposta de forma solene, entre os ondulados da veste, pelo escultor Salvador Barata Feyo.
Santuário de Fátima, 26 de Abril de 2009
Marco Daniel Duarte
Departamento de Arte e Património | Museu do Santuário de Fátima

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